IA na prática, sem fumaça: 5 verdades que ouvimos no Fórum BR Angels de junho
PwC, Salesforce e Quinta Era subiram ao palco para separar o hype do que está, de fato, gerando resultado.
Em uma noite fria na MZ Arena, mais de 100 líderes C-level se reuniram no Fórum BR Angels para uma conversa que fugiu do roteiro de sempre sobre inteligência artificial. O mote, definido na abertura por Orlando Cintra, fundador e CEO do BR Angels, foi direto: falar de IA na prática, cases, o que de fato está acontecendo — “tem muita fumaça, mas tem muita realidade também.”
Com mediação de Ricardo Pellegrini (ex-presidente da IBM Brasil) e um painel formado por Marco Castro (CEO da PwC Brasil), Maíra Grassini (Salesforce) e Gil Giardelli (Quinta Era), o debate entregou exatamente isso. As cinco verdades que mais provocaram a plateia:
1. O paradoxo brasileiro: o povo adota, a empresa trava
O Brasil é o 2º maior usuário diário de IA generativa do mundo. Mas, segundo o Banco Mundial citado por Gil Giardelli, apenas 3,5% dos profissionais têm habilidade média ou avançada em IA. O gargalo está nas médias e pequenas, que são 90% das empresas do país.
2. Quem usa IA para cortar custo está olhando para o lado errado
Para Marco Castro, mirar redução de custo é “um caminho completamente equivocado”. A pesquisa da PwC mostra que só ~12% das empresas no mundo cortam custo repetitivo e criam receita nova de forma estruturada. O retorno aparece quando a IA entra na estratégia para abrir receita.
3. Sem governança, IA vira vazamento — de dados e de dinheiro
O painel alertou para o “shadow AI”: dados corporativos jogados em ferramentas gratuitas, sem controle. Castro foi taxativo: adotar soluções soltas “é rasgar dinheiro”. Maíra Grassini resumiu o pré-requisito: “a sua IA vai ser tão boa quanto os seus dados.”
4. A próxima onda já chegou: agentes e robôs na operação
Gil Giardelli trouxe o presente: um empreendedor que, com ~300 agentes autônomos, atendeu 480 mil clientes. E os humanoides saíram do laboratório — a BMW dobrou capacidade na Alemanha; a China já entregou ~10 mil robôs sociais. Citando Lagarde: “está vindo um tsunami.”
5. Adoção é cultura — não decreto
IA imposta top-down fracassa. Começar pequeno, treinar pessoas, envolver os times. Sobre o impacto no trabalho, a imagem que ficou foi a do futuro em losango, não pirâmide: quem desenvolve fluência em IA se mantém relevante.
Quer fazer parte das próximas conversas? Conheça o BR Angels.